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Postado por Thiago Miotto em terça-feira, 5 de agosto de 2008.
Berlin Contemporary Jazz Orchestra (1990)

1 - Ana - 22:29
2 - Salz - 07:41
3 - Reef und Kneebus - 19:28


*Sobre a primeira peça, Ana:

O álbum abre com um motivo melódico ao piano que quase "deixa deitar-se nos vãos do silêncio", desenvolvendo-se através de outros instrumentos e criando uma textura um pouco mais densa e de cunho lírico. Em seguida a peça abre-se para um Jazz moderno mais ao estilo de big band, quando o solista coloca-se numa linha vertical, com solos utilizando-se de cromatismo.

A orquestra volta-se então a um tema com nuances progressivas, desaguando numa linha de complemento entre trompete e piano. Vários instrumentos de sopro começam a assomar, criando espaços e intersecções uns com os outros, produzindo um formato de colorido muito interessante.

A seguir o piano retoma a frente, agora acompanhado dos alicerces de um belo timbre de baixo, e parte rumo a um solo muito bem estruturado.

A orquestra começa a surgir por trás, através de uma dinâmica que vai se elevando, até que os timbres agudos colocam explicitamente o segundo tema e passam a criar pequenas variações em vários graus e vozes.

Neste instante o tema finaliza-se abrindo para um solo de cunho mais atonal, com pano de fundo repleto de tensões estáticas que vão se elevando dinamicamente. O sopro começa a se digirir a um caminho enérgico que lembra até algumas abordagens de Peter Brötzmann e a orquestra cria um clima extremamente poderoso e abrangente.

Eis que um breve "quase-silêncio" retorna após as poderosas torrentes...

A orquestra toma um rumo que lembra o Jazz Moderno notívago de eras próximas da música de Charlie Parker, com bateria, piano e percussões quebrando os tempos. Os sopros assomam por detrás e duas vozes podem ser ouvidas em complemento. A primeira voz desaparece e a segunda começa a utilizar-se de técnicas diversas a fim de abrir um espaço diferenciado - ao mesmo tempo a orquestra vai assomando e se elevando em altura, até que tudo se descontrói desenfreadamente, deixando apenas o final para a voz fechar e cair no silêncio...

O tema central é retomado, agora quase de modo fúnebre, e aos poucos vai se abrindo a um colorido nostálgico que vai se desenrolando em entoações que beiram o trágico... a voz do barítono fecha o momento e abre a orquestra para a calma, límpida e derradeira resolução.


*Sobre a obra:

Peço desculpas pelo exercício lúdico, mas tive vontade de experimentar ao ouvir o álbum dias atrás. Comecei a rabiscar algo, mas tive que sair, então peguei hoje para escrever de momento, enquanto ouvia a música; peço que não se prendam ao que rabisquei, pois a riqueza de detalhes vai infinitamente além disso, e meus dedos não acompanhariam minha percepção.

Este álbum foi regido pelo grande compositor, instrumentista e improvisador Alexander von Schlippenbach, e posso dizer que as composições da obra flertam com diversas épocas da evolução do Jazz, desde a música antes de Charlie Parker até a Improvisação Livre européia dos dias atuais.

Enfim, é um álbum recomendadíssimo para amantes tanto do Jazz de cunho mais tradicional como das vanguardas atuais. Espero que gostem e comentem suas impressões.

Quanto aos músicos:

Berlin Contemporary Jazz Orchestra:

Benny Bailey, trumpet; Henry Lowther, trumpet; Thomas Heberer, trumpet; Kenny Wheeler, trumpet, flugelhorn; Paul van Kemenade, alto saxophone; Felix Wahnschaffe, alto saxophone; Gerd Dudek, soprano and tenor saxophones, clarinet, flute; Walter Gauchel, tenor saxophone; E.L. Petrowsky, baritone saxophone; Willem Breuker, baritone saxophone, bass clarinet; Henning Berg, trombone; Hermann Breuer, trombone; Hubert Katzenbeier, trombone; Utz Zimmermann, bass trombone; Aki Takase, piano; Misha Mengelberg, piano [guest soloist]; Günter Lenz, double bass; Ed Thigpen, drums; Alexander von Schlippenbach, conductor.

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