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Saccharine Trust
Postado por Henrique Tonin em segunda-feira, 22 de setembro de 2008.

Discordância. Despretensão. Auto-ironia. Inquietude. Liberdade criativa (algo que, forçando um pouco o termo, poderíamos traduzir também como "desprendimento estético").

O ser humano começa por abater os ídolos e acaba por transformar suas blasfêmias em hinos da revolta entronizada; profisionaliza-se na revolta ao ponto de permitir que a revolta o molde docilmente. E o nacional-socialismo começa a falar pelos nacional-socialistas; e os anarquistas, comunistas, democratas falam da liberdade todos con un lexico de gauleiter, como diría Borges. Persegue a Forma, o estilo, a expressão estética ideal - e a forma começa a fazer o homem, e a sua expressão a expressar-se por ele (como um ator inexperiente que usa uma maquiagem para realçar sua raiva e fica preso à ela pelo resto da cena, incapaz de expressar outro sentimento, porque agora a careta de raiva o ursurpou plenamente). Os homo sapiens sapiens que cuspiram no altar da Arte erguem um altar aos deuses Escarro, Revolta e Iconoclastia. Os punks acabam se vestindo de punks, tocando como punks, falando e bebendo como punks, etc. E a insubmissão?

Apesar de ter "evoluído" de um "anti-rock" para um jazz-rock mais sofisticado e agradável aos ouvidos, o Saccharine Trust nunca deixou de ser uma das bandas mais interessantes do "punk" (principalmente para mim - viva a subjetividade). Permitiu-se explorar terrenos que seus "congêneres" ignoraram (por preguiça ou, o que é pior, por fidelidade). As músicas da banda geralmente construiam-se com improvisos a partir de um riff e uma base simples que logo se alargava, incorporando texturas complexas e atingindo dissonâncias mais propriamente estruturais que baseadas no volume elevado e em acordes agressivos.


Não seria errado dizer que o álbum Paganicons representa a primeira fase, mas a verdade é que já apresenta grandes indícios da mudança por vir. Já o Surviving You, Always, deve ter parecido um filhote estranho no ninho. Nascido do punk rock, incorpora elementos de free-jazz (elétrico), rock progressivo, noise, hardcore, jazz-core, acid-jazz, timbres refinados, tortuosos e obscuros. Um álbum que pode ir de The Clash à Last Exit.

Paganicons (1981)





1. I Have...
2. Community Lie
3. Effort To Waste
4. Mad At The Co.
5. I Am Right
6. We Don't Need Freedom
7. Success And Failure
8. A Human Certainty

Joe Baiza - guitarra
Jack Brewer - vocais
Earl Liberty
- baixo
Rob Holzman - bateria

Surviving You, Always (1984)





1. The Giver Takes
2. Lot's Seed
3. Sunk
4. Speak
5. The House, The Concrete, The System
6. Remnants
7. The Cat Cracker
8. Our Discovery
9. A Good Night's Bleeding
10. Craving The Center
11. YHWH On Acid
12. Peace Frog


Joe Baiza - guitarra
Jack Brewer - vocais
Mark Hodsen
- baixo
Tony Cicero - bateria

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