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Morton Feldman
Postado por Thiago Miotto em terça-feira, 12 de maio de 2009.

Confesso que, se comparado a outros artistas que mudaram minha forma de ver o mundo, há pouco conheci Morton Feldman; no entanto, em pouquíssimo tempo, as marcas que suas obras deixaram em minha pessoa já são impossíveis de apagar.

Habitante do século mais ruidoso da história da humanidade, em meio a apontamentos que utilizavam sons, alturas e intensidades antes impensáveis, em um mundo em que muito do mistério da existência parecia desaparecer frente à análise e a sistematização de todas as coisas, Feldman consegue escavar e trazer a tona as entranhas do mistério através do som e do silêncio em suas composições, tecendo uma obra que parece querer reinventar o Belo.

Em sua, digamos, primeira fase, ele prezou por apontamentos próximos de Cage, lidando com o indeterminismo, com a "livre escolha" por parte dos executantes em relação às alturas ou a rítmica, entre outros. Mas é em sua segunda fase que Feldman nos mostra o poder de sua percepção amadurecida: voltando-se à escrita convencional, Feldman passa longe de todo gênero de música antes proposta, criando peças que nos remetem a percepções obscuras, emoções indizíveis, mundos misteriosos e que parecem intocados... O essencial do silêncio e do som, o tempo que parece se diluir, o vago, o indeterminado... o sonho e a realidade penetrando-se. Eis um pouco do que Feldman, através de pouquíssimas notas, consegue me passar.

Se vai ouvir, feche portas e janelas, desligue tudo o que emita qualquer ruído, busque o máximo de silêncio e solidão... deixe sua percepção ser tomada pela música de Feldman e redescubra o mundo dos sons.

No mais, boa viagem e boa sorte.

Morton Feldman - Rothko Chapel

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Morton Feldman - Trabalhos para instrumento solo e orquestra

Download - Parte I

Download - Parte II

Matéria sobre Feldman (atenção para as 5 páginas)