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Valentin Silvestrov - Cantatas (1997)
Postado por Andre Carvalho em quarta-feira, 27 de janeiro de 2016.

Re-upload. Postado originalmente em 20/02/2015.










As composições presentes nas Cantatas de Silvestrov correspondem ao período de 1975 a 1995, sendo o período de 77' quem sabe o mais bonito da carreira do compositor. O album foi lançado em 1997, pela MegaDisc, uma gravadora belga, mas com execução do Coral Nacional Ucraniano Dumka, e pela Kiev Camerata.

As duas últimas cantatas também aparecem na coletânea On Photography, em uma excelente execução do Latvian Radio Choir, quem sabe um dos mais belos corais do mundo, contudo devo afirmar que nada se compara, ou virá a se comparar com esta performance do Ukrainian National Capella 'Dumka'. Não é uma questão simples de técninca, ou até mesmo do idioma, mas sim da compreensão do símbolo e do significado que o poeta e herói nacional Taras Chevchenko possui para os ucranianos. Esta identificação nacional está intimamente ligada com o sentido poético e força emotiva de seus versos.


Auto-retrato do pintor T. Chevchenko
Taras Shevchenko viveu entre 1814 e 1861; nascido em uma família de servos, devido ao talento demonstrado na escrita e principalmente na pintura, seu amo P. Engelhardt o levou para tomar aulas de artes nas cidades de Vilna e São Petersburgo. Teve sua liberdade comprada aos 24 anos por  alguns pintores e pelo poeta russo Zhukovsky, que viram um grande talento em Chevchenko.


Chevchenko ganhou várias medalhas e prêmios por seus trabalhos artísticos, mas no entando, em 1847 sua vida sofreu um revés. Foi preso acusado de conspiração e de ser membro de um grupo político chamado 'Irmandade dos Santos Círilo e Metódio' (organização que visava a liberalização do Império Russo  transformando-o em um confederado de estados eslavos), junto consigo a polícia encontrou o poema "Son" (Sonho), o qual satirizava o czar e sua esposa. Chevchenko foi mandado para o exílio em Oremburgo, em uma base militar russa, perto dos montes urais.



O poeta retornou para a Ucrânia em 1859, e já com a sua saúde muito debilitada faleceu em São Petersburgo em 1861, tendo o corpo posteriormente transferido para um cemitério nos arredores da pequena cidade de Kaniv.






Estátua de Chevchenko em Prudentópolis-PR

Voltando ao Silvestrov, ele dedicou este album para a sua falecida esposa Larissa Bondarenko (creio que tudo o que foi composto após 1996 foi dedicado de certa forma a ela), e mesmo as composições sendo anteriores a morte de Larissa, encaixam-se perfeitamente com um sentimento de despedida, redenção e fatalismo.



***

Quando resolvi subir para o youtube as cantatas IV, V e VI, demorei muito para encontrar uma imagem que pudesse ser utilizada no vídeo, no sentido de corresponder minimamente com toda a emoção e sentimentos estranhos que a música do Silvestrov me passa (em especial estas cantatas). Inicialmente me ocorreu pesquisar alguma imagem sacra, mas depois vi que esta era somente uma das dimensões da música; depois pensei em alguma paisagem que fosse desolada e ao mesmo tempo conseguisse transmitir qualquer que seja o sentimento ambíguo de serenidade e inquietação, mas vi também que estava incorrendo em um "hedonismo óbvio". Resolvi pensar subjetivamente em algo grandioso o qual igualmente me inquietasse e despertasse um sentido de contemplação, e logo pensei na ficção científica. Mesmo não sendo nenhum estudioso de física, o que sempre me aguçou mais a curiosidade foram os filmes e a literatura desse gênero, principalmente quando se teorizava o universo e as sociedades futuras, em específico as sociedades futuras. Como será a religiosidade do homem nos próximos séculos? O quê o abandono progressivo da herança histórica dos nossos antepassados provocará definitivamente? Como a constante transformação e evolução da tecnologia afetará o nosso entendimento e relacionamento com o mundo? Essas são só algumas questões..

É algo muito interessante de se pensar a relação imagem-estática e música, e como na maioria das vezes ela possa ser mais interessante do ponto de vista de imersão na música do que propriamente um vídeo. Mas enfim, o post é imenso mas não penso que poderia ser de outra forma. Finalizaria afirmando que este albúm é IMPERDÍVEL.
















Choir – Ukrainian National Capella "Dumka" (tracks: 5 to 9)
Conductor – Virko Baley (tracks: 1 to 4)
Conductor [Choir] – Evgen Savchuk (tracks: 5 to 9)
Orchestra – Kiev Camerata (tracks: 1 to 4)
Soprano Vocals – Lidia Stovbun (tracks: 1 to 3)
Tenor Vocals – Konstantin Klein (tracks: 5 to 9)

1973

1. Cantata I (poems by F. Tjoetchev and A. Blok)
2. Cantata II (poems by F. Tjoetchev and A. Blok)
3. Cantata III: Ode to Nightingale (ode by John Keats)

1983

4. Ode to Nightingale (ode by John Keats)

1977

5. Cantata IV (poetry by T. Shevchenko)
6. Cantata V  (poetry by T. Shevchenko)
7. Cantata VI (poetry by T. Shevchenko)

1995

8. Diptych: Our Father
9. Diptych: Testament (poetry by T. Shevchenko)

Format:
FLAC | 238 MB



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