Além do nosso blog, você poderá encontrar o Sonora Aurora no grupo do LastFM e no Facebook.


Entrevista - Las orejas y la lengua
Postado por Henrique Tonin em terça-feira, 16 de setembro de 2008.
Continuando com a série de entrevistas: Las orejas y la lengua - Publicada originalmente no site Nucleus, e traduzida por mim.

Banda argentina bastante elogiada por seus trabalhos, e recomendada por Chris Cutler.
______________________________________________________________

"La Eminencia Inobjetable"

Entrevista com Nicolás Diab, baixista (e algo mais) da primeira banda argentina de Rock In Opposition. Ainda que você não acredite...

Por Sergio Vilar

Nicolás, poderías resumir a história de Las Orejas y la Lengua?

Começa em 1992, quando Federico Marquestó me convoca para tocar o baixo em um grupo em que estavam ele mesmo na guitarra; Gastón Leiras, na guitarra e voz; e Fernando de la Vega na bateria. Durante um longo tempo a banda dedicou a maior parte de sua música à canção pop-rock. Mais tarde, e em uma mudança de atitude na qual muito influiu a chegada de nosso tecladista, Diego Kazmierski, fomos deixando de lado os temas cantados e compondo mais temas instrumentais. Foi este um momento importante na vida de Las Orejas y La Lengua, porque fomos delineando o idioma que logo falaría o grupo. De grande importância foram também a presença de Rogelio Corte (flauta) e as longas improvisações junto a Marcelo Aguirre e Moxi Beidenegl na casa de Federico Marquestó. Justamente -e digo isto sem nenhum tipo de ressentimento já que faço referência a uma pessoa a quem estimo e admiro muitíssimo-, foi o afastamento de Federico o que provocou uma tremenda virada na atitude de Las Orejas para a música.

Isso foi em 1995, quando decidimos gravar "La Eminencia Inobjetable".

Pouco depois de que o disco ficou pronto, sobreveio um período bastante estranho e que não sei como definir: o que era um quinteto ficou reduzido a trio, numa época em que Steven Feigenbaum, de Cuneiform Records, mostrava um grande interesse por "La Eminencia Inobjetable". Mas enquanto Feigenbaum morria para saber se Las Orejas gozava de uma vida saudável, o grupo estava em coma.

Não posso afirmar que tudo tenha ficado no vazio, porque apesar da decepção que supôs a negativa final de Cuneiform, foi este um período em que o grupo se reinventou a si mesmo inumeráveis vezes, assumindo distintas formas e oferecendo concertos dos mais díspares, alguns cuja lembrança conservamos como um tesouro. Porque com a incorporação de Diego Suárez (flauta) em 1999, encontramos a maneira de sintetizar todo o ocorrido, em termos musicais, desde a gravação de "La Eminencia..." até a data. E porque hoje, com o disco editado por Viajero Inmóvil, recebemos com agrado as reações favoráveis à nossa música que nos chegam de pessoas e lugares muito diferentes. Inclusive de Cuneiform.

Quais são as influências musicais mais diretas de cada um?

Não sabe / Não responde

Nos podería dizer por que escolheram o nome?

Sim, sabe / Não responde

Para quê aponta a mensagem de suas músicas?

A verdade é que a música de Las Orejas, ainda que responda a algumas fórmulas do rock, é abstrata e as músicas não contém mensagem alguma. São só o produto da imaginação do grupo e da reação que nos provocam nossos ouvidos ao escutá-la.

A música da banda é uma mescla estranha de estilos. Como definirías sua música?

Na sua pergunta há três palavras que não concordam com a filosofia de Las Orejas y La Lengua, porque não cremos que nossa música seja uma mescla; definitivamente não é estranha, porque é a que nos sai naturalmente e tampouco é uma música de "estilos" num sentido eclético. Costumamos brincar, sim, com alguns idiomas da música popular, ainda que dentro dos severos topos que nos impõe nossa limitada técnica.

O que os levou a trabalhar neste terreno musical tão pouco habitual para uma banda argentina?

Tanto esta pergunta, como as duas anteriores, podem responder-se dentro dos mesmos parâmetros. Não existe um afã desmedido por fazer algo diferente, é o que nos sai. Se tentamos tocar algo com um ar jazzístico, folclórico, tangueiro, ou o que seja, nos sai algo espantoso. Só somos capazes de tocar o que fazemos e que conhecemos como a música de Las Orejas y La Lengua.

Por outro lado, quando és músico e o que escutas quase todo o tempo pelo rádio ou na televisão não te agrada nem um pouquinho, é natural que tua música soe "pouco habitual".

Como compõe músicas?

Ainda que algumas tenham sido compostas individualmente por alguns integrantes do grupo, em geral compomos partindo de uma improvisação coletiva. Inclusive quando algum de nós traz uma música escrita, costuma deixar um espaço para a improvisação; ou então a banda mesma brinca livremente com as partes da música. O interessante deste método é que as sucessivas interpretações das músicas não são uma mera exposição de idéias como se estas fossem peças de museu. Ao contrário, cada nova execução altera o espírito da composição original ao mesmo tempo em que a mantém com vida.

Como vês o disco agora, a pouco tempo de ter sido editado?

Gravamos o disco em 1996, portanto, durante os últimos seis anos o apreciamos sob diferentes luzes e de inumeráveis pontos de vista. Agora que está editado, creio que a carga que supunha o disco como obra inédita alterou de algum modo sua massa, convertendo-se em um peso mais agradável de suportar.

Como foi o processo de gravação?

Muito rápido. Tinhamos claro que era o que íamos tocar, de modo que fomos ao estúdio de Ernesto Snajer e da manhã à tarde gravamos todos os temas em fita de 8 canais. Em outras sessões mais curtas acrescentamos alguns instrumentos adicionais, o corinho de "Las mil y una formas de acabar con la tragedia de Occidente" e as partes dos músicos convidados. Creio que a mixagem fizemos numa outra tarde. Logo houve um processo de pós produção -bastante sucinto também- no qual acrescentamos sons como as coplas, o baixo ao contrário e o piano final que aparecem em "Gastando las vacaciones limpiando casas" ou a tormenta de "Fugaz en la Ciudad Antigua". Outras coisas as havíamos gravado com antecipação: os bichos de "Anzuelo para Fennanno" os gravou Gato Leiras na Bolivia e tal é o registro que aparece no disco; "$5000 de F. Kropfl" o gravaran Gato e Diego Kazmierski na minha casa.

Um processo muito interessante se deu na gravação de "Ayer o peor", uma música que surgiu íntegramente de uma improvisação e que Gato se encarregou de transcrever e compor a melodia e o arranjo: em meu portastudio de quatro canais gravamos duas baterias, baixo, contrabaixo com arco e pizzicato, guitarra criolla, guitarra elétrica, bandurria, teclado, sampler, flauta e marimba; tudo em separado e mantendo um canal de referência para cada músico que íamos mixando en cassete e gravando novamente no porta. Depois fomos com o porta ao estúdio de Snajer e derramamos as coisas uma por uma em um PC que hoje considerarias ultrapassado, e com um software dos mais obsoletos sincronizamos as partes da melhor forma possível e aí ficou, creio que não soa muito mal.

Houve algua idéia que abarcasse todo o álbum ou cada canção se planteou de maneira independente?

As duas coisas. As canções abarcam períodos muito diferentes na vida de Las Orejas y La Lengua, inclusive algumas tinham letra e eram muito diferentes das versões que aparecem em "La Eminencia Inobjetable". Justamente, a idéia de fazer um disco operou como amálgama em músicas tão dissímiles e um mesmo fio perpassou as treze canções.

O disco teve uma muito boa recepção por parte da imprensa especializada. Que expectativas tem sobre sua difusão?

Muitas. Ainda que a tiragem no seja grande, o trabalho de Felipe Surkan (Viajero Inmóvil) é enorme e o disco vai muit bem tanto no exterior como nas lojas de discos de Buenos Aires. E logo o apresentaremos ao vivo.

Falemos um pouco do que virá. Em que parte da criação do novo álbum estão agora?

Ui! O material de que dispomos o gravamos em 2000 e recém retomamos o trabalho. Estamos nun momento bastante complexo que consiste en decidir o que nos serve daquelas gravações e o que não; o que é preciso acrescentar e o que é preciso tirar. Creio que estamos na parte mais difícil.

O que podemos esperar da próxima obra?

Uma música mais densa e por momentos agressiva. Penso que vai ser um disco que vai surpreender gratamente a quem tenha escutado bastante o primeiro, ainda que seguramente não faltará quem se decepcione e isso é bom, quer dizer que mudamos.

Qual é a meta de Las Orejas y la Lengua para o futuro?

Não nos sentimos em condições de especificar uma meta clara a nivel externo mais que a de trabalhar para ir obtendo certo reconhecimento do público e captar novos ouvintes.

Obrigado por seu tempo, Nicolás. Queres acrescentar algo mais?

Agradecer a vocês, por brindar um espaço a estas músicas "pouco habituais" e pela paciência que demostraram possuir esperando nossas tolas respostas. Obrigado mais uma vez.

Marcadores: ,