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The Fringe - George Garzone - The Fringe in New York
Postado por Thiago Miotto em sexta-feira, 13 de setembro de 2013.



Pensando nos mais relevantes saxofonistas atuais, grosso modo talvez possamos dividi-los em duas frentes principais em termos de exploração do instrumento. Os primeiros seguem mais atrelados às contribuições de mestres do passado como Charlie Parker, Miles Davis e John Coltrane. Assim, seguem com explorações que não dispensam elementos como tema, harmonia pré-estabelecida, melodia, fraseado jazzístico, compassos, métrica mais ou menos fixa, número de chorus, tocar "in" e tocar "out", escalas, modos, pensamento tonal, modal e atonal, e por aí vai.  Dentre os grandes saxofonistas que seguem esta linha poderíamos citar Chris Potter, Dave Liebman, George Garzone, James Carter, Joe Lovano, John O'Gallagher, Joshua Redman, Michael Brecker, entre outros.

No segundo grupo temos instrumentistas menos conhecidos, que seguem hoje a improvisação livre. Este grupo, por ser ainda mais novo na história da música, ainda conta com pioneiros vivos e ativos como Anthony Braxton, Evan Parker e Peter Brötzmann. Nesta direção, quando os músicos não estão mais voltados à condução do improviso principalmente através da escuta ativa, ainda assim seguem por formas de organização que fogem aos modelos de escritura e improvisação convencionais. Braxton, por exemplo, inventou sinais que guiam novas formas de estruturação e exploração musical e instrumental, Parker apostou numa espécie de "biofeedback" e na exploração de técnicas estendidas (formas não usuais de abordagem do instrumento), Brötzmann trilhou uma exploração mais enérgica do instrumento. Filhos desta linhagem, hoje vemos saxofonistas como John Butcher e Christine Sehnaoui ainda mais focados numa exploração de "detalhes e entrelinhas do som", dispensando muitas vezes até o uso da boquilha, qualquer existência de alturas definidas, dentre outras coisas.

Para não me estender demais e retomando o foco da postagem, hoje posto um trabalho de um dos maiores saxofonistas do primeiro grupo que seguiram e ampliaram o legado de Coltrane. Nas palavras de Michael Brecker, George Garzone é simplesmente o "maior saxofonista vivo", já não bastasse isso, ele também é educador musical, tendo sido professor de diversos "figurões" do primeiro grupo. Garzone - talvez somente junto com John O'Gallagher até o momento, apesar das diferentes abordagens - criou uma forma de estruturar a improvisação baseada no dodecafonismo. O mais interessante nisso tudo é que ela pode ser aplicada inclusive num contexto tonal, gerando toda uma nova forma de pensar a improvisação.

No álbum que segue podemos conferir um pouco de sua música aliada ao trio "The Fringe", com o qual toca há 25 anos e consta com o baixista John Lockwood e o baterista Bob Gullotti. No álbum temos a participação especial do vibraphonista Mike Mainieri. Apesar de ser em sua maior parte um álbum relativamente calmo, o trabalho varia bastante em alguns momentos, indo de passagens líricas até momentos desafiadores e com muita energia. Para quem aprecia o primeiro time de saxofonistas, creio que fica aí uma boa dica de audição.

Download: George Garzone / The Fringe - The Fringe in New York

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