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Egberto Gismonti - (discografia)
Postado por Thiago Miotto em sexta-feira, 1 de julho de 2011.

Download - Discografia

Como ando um tanto distante da escrita a respeito de música, deixo um texto de Sidney Molina a respeito de Egberto Gismonti e os agradecimentos a Bruno Rodrigues por subir a discografia desse que é um dos maiores músicos brasileiros.

Em 1967, Egberto Gismonti, então com 20 anos, abriu mão de uma bolsa de estudos em Viena para se dedicar à música popular; um ano depois, apresentaria sua composição "O Sonho" no III Festival Internacional da Canção da TV Globo, com arranjo para orquestra de cem músicos. Foi uma opção pelas origens, pelo jeito popular de fazer música aprendido com tio e avô, ambos mestre de banda na cidade fluminense de Carmo. Sobre a formação erudita - sem precedentes no contexto da música popular brasileira -, basta mencionar que estudou piano com Jacques Klein e composição em Paris com Jean Barraqué e Nadia Boulanger.

À formação acrescentemos duas transformações: o encontro com Sapaim no Xingu e o encontro com o produtor Manfred Eicher em Munique. Se o contato com os índios permitiu a Gismonti encontrar definitivamente sua própria voz, a gravadora ECM tem possibilitado, há mais de duas décadas, o desenvolvimento pleno dessa voz através de projetos impecáveis de LP's e CD's.

Cabe reformular a crítica predominante até os anos 80, que preteria seu conceito particular de Brasil em nome de um vago "experimentalismo": o caráter experimental está longe de ser o que há de mais importante na música de Gismonti. Ela é herdeira de uma certa matriz instrumental da MPB, que tem como pilares o virtuosismo de Pixinguinha, o piano de [Ernesto] Nazareth e o violão de Baden Powell. A estes, devem-se adicionar Villa-Lobos e um Stravinski traduzido para o sertão nordestino.

Podemos agrupar sua produção em duas categorias: a complexidade das "músicas de sobrevivência", peças de caráter urbano, densas e polirrítmicas, e a simplicidade de canções instrumentais - herdeiras de A Lenda do Caboclo, de Villa-Lobos -, baseadas na música dos interiores do Brasil. São exemplos do primeiro grupo "Forró", "Forrobodó" e "Karatê"; do segundo, "Água e vinho", "Palhaço" e "Um Anjo". Lembremos também que sua atuação não se esgota nas interpretações ao piano, teclados, violões e flautas indígenas: há que considerar - cada vez mais - as orquestrações, a escrita de câmara e as trilhas de cinema.

Gismonti tem seu lugar estabelecido ao lado dos mais fortes artistas da música popular brasileira. Isso não é pouco: significa que alguns fragmentos melódicos, harmônicos e rítmicos do que é o Brasil foram revelados, e passam para sempre, por sua música.

[texto de] Sidney Molina


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